quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Domingo, 12 de Setembro de 2010

Domingo, 12 de Setembro de 2010

Véspera do primeiro dia de aulas.

Odeio a ele! E odeio-me também a mim por ser tão estúpida. Odeio-me por acabar sempre por perder a coragem, por deixá-lo fazer as coisas à sua maneira e eu não fazer á minha.

Odeio ter estremecido quando ele me ia dando um murro no meio da cara com toda a força, por eu ter dito que não era preciso ele estar assim a gritar com a minha irmã, aos meus ouvido, só por causa da merda do programa do Rebelo de Sousa em que a televisão estava mesmo quase no máximo, e ele cala-te se não apanhas. Eu disse que não era justo. Hello! Em que mundo é que ele vive?! Jantar, família, partilhar coisas!? Não sabe o que isso é? A minha irmã queria contar a merda de uma história da escola e ele mete-se aos berros.

Eu queria tê-lo mesmo enfrentado, dito o que pensava e não ter estremecido quando o seu punho estava perto da minha cara, queria não ter estremecido ao imaginar a dor, a sentir o meu pai dar-me um murro em cheio na cara. Dor física e psicológica. Ia ser lindo andar com a cara negra porque lhe disse que estava a exagerar e tudo pela merda da televisão.

E a minha mãe a dizer para ele parar e que estava a exagerar e ele a dizer que a culpa era nossa, que eu é que tinha culpa. Estava farta e pousei a fatia de pizza, que ia comer depois da sopa, de volta no prato e comecei a levantar-me (e odiei ter de estar ainda mais perto dele para poder sair) e ele disse que era melhor para eu ver se deixava de estar assim gorda que nem um porco. Odeio! Odeio com toda a minha força!

E sou estúpida, entrei no quarto e as lágrimas estavam a escorrer-me pela cara. Dor, mágoa, raiva, ódio… Odiei estar a chorar por causa de tudo o que ele disse e fez. Fechei-me na casa de banho, vi a minha cara vermelha no espelho, comecei a lavá-la, e limpei, mas continuava vermelha e com as lágrimas a correr.

Lavei os dentes de seguida, tentando pensar noutra coisa, mas não conseguia e as lágrimas caiam tal e qual como rios.

Eu sabia que ele me estava a ofender, conseguia percebe-lo, não se percebia muito bem o que dizia e ainda bem, eu não me esforçava e ia ignorando.

Por mais que limpasse a cara, não conseguia parar, eu não devia estar a chorar como um bebé, de cara e olhos vermelhos.

A minha mãe veio falar comigo e depois disse para ir comer, disse que não queria e que já estava a lavar os dentes. Como podia ter fome? Como podia ignorar e esquecer? Como fingir que estava tudo bem e até olhá-lo normal.

Mostrar-lhe-ia o tamanho do meu ódio naquele momento.

Busquei os meus dois diários e fugi de volta para o meu refúgio. A minha mãe voltou um pouco depois, tentando acalmar-me e depois parecer normal, estranhando “ainda” estar na casa de banho e disse que ele não viria ao meu quarto. Também acho que ele não fez nada de mais ao bazar e ao não vir aqui (deve ter ido para a nossa antiga loja). Ele não tem esse direito e era preciso uma grande lata.

Não posso manter-me no quarto, cada um entra como quer (é muito raro alguém bater á porta antas de entrar), e eu só quero ficar sozinha, ficar sozinha com a minha dor e esconde-la. Estou à um bom tempo a chorar rios, e ranho e até a transpirar com o ódio e tudo o mais, como posso dormir e esquecer?

São 10H, amanhã é dia de escola e blá, blá, blá. Não é bem o que me preocupa agora.

Mas lembro-me o que ele falou do meu sonho, que eu não presto para a psicologia ou para algo assim e que seria uma merda. Para altura em que partilho com ele e ele é um completo parvalhão.

E principalmente da noite em que foi imensamente estúpido! Eu deitei-me e estava a chorar abafadamente na cama, já estava a controlar-me a preparar mentalmente para dormir, ele entra, acende a luz fraquinha (por sorte) e é ainda mais odioso e tudo o mais que já tinha sido antes nessa noite. Chorei bastante e lá adormeci horas depois.

Parece que sabia que já me estava a acalmar de uma das nossas piores discussões e foi magoar-me mais e mais, até doer e doer.

As lágrimas já correm menos, hão-de secar, tirando aquelas que irão cair ocasionalmente.

Vou desencostar da porta, levantar-me do tapete e ir dormir, agir normal amanhã, mas não esquecer. Tenho de ir.

Amanhã logo me preocupo com a escola e acabo de arrumar o resto das coisas.


Em 2 minutos estava pronta para dormir e deitei-me logo. Ainda caíram umas pouquinhas, e doíam-me os olhos e eu já só queria adormecer depressa e deixar de ter as coisas tão vividas na minha cabeça, esquecer por um pouquinho.

Passado um pouco recebi um sms de uma amiga, a desejar-me a boa noite e a dizer que me adorava. Ohhh, eu ás vezes sou muito sensível e idiota e tal, mas achei tão fofo. Ela não sabia que eu estava mal, mas conseguiu animar-me e fazer um sorriso brotar dos meus lábios.

E pode parecer idiota, mas para mim foi importante e fez-me sentir um pouco melhor, eu fui bastante sincera no que lhe disse, era toda a verdade.

É bom saber que no meio de tantos problemas, que temos amigos que estão lá pra nós =)

Nem sempre sei bem como dizer o que sinto, na minha casa não costumamos usar apelidos simpáticos, querida e essas coisas e eu nem sempre tenho coragem ou sei como o dizer. Talvez me habitue e use com as pessoas importantes, quando estiver preparada. Espero que ela compreenda o que quero dizer, quando lhe digo algo, pois eu não costumo dizer algo só por dizer e não digo coisas que não sinto.


A lot of Kisses

Sem comentários:

Enviar um comentário